Aulas para grupos, palestras para empresas, carta de vinhos e treinamento para restaurantes e lojas. Elaboração de cardápios para harmonização enogastronômica. Coordenação de eventos: degustação de vinhos, serviço do vinho, feiras e jantares harmonizados.

26 de agosto de 2009

Vinhos de Sobremesa parte 1

Olá pessoal,
Dizem por aí que a sobremesa é a melhor parte da refeição, então o vinho de sobremesa não pode ser esquecido de jeito nenhum! E tenham em mente que o vinho tem que ser mais doce do que a sobremesa, senão ele desaparece. Agora eu vou listar alguns tipos de vinhos de sobremesa:
Late Harvest ou colheita tardia
Quando as uvas são colhidas mais tarde, elas têm uma taxa de açúcar maior do que as uvas colhidas no tempo correto, pois perdem uma grande quantidade de água, viram uvas passas. Assim proporcionalmente ao peso do bago, a quantidade de açúcar é bem maior. Daí a levedura que transforma o açúcar em álcool não consegue metabolizar todo o açúcar e morre no meio do processo, por que o álcool, que ela mesmo produz, é um poderoso anti-séptico, é um suicídio acidental! E é por isso que o vinho fica com uma grande quantidade de açúcar residual. Nota- se que essa concetração de açúcares na uva, ou passificação, é feita de forma natural no vinhedo.
Passificação forçada
Alguns vinhos da região do Veneto, chamados de Amarone também são feitos com uvas passas, ou passificadas, mas essa secagem é feita com grandes ventiladores, não é natural como no late harvest.
Botrytis cinerea ou Podridão nobre
É um fungo que ataca as uvas, principalmente a semillion (uva branca), o seu micélio conforme cresce, penetra na casca e faz furos, assim a água evapora mais rápido, pois a pele está mais permeável e porosa. Nota-se também um aumento da acidez nos bagos, uma defesa natural da planta para tentar impedir o crescimento do fungo. Por causa desses fatores o vinho botritizado é tão apreciado. Ele é único, com aromas característicos, peculiares e uma cor amarelo ouro maravilhosa. Isso ocorre em várias partes do mundo Alemanha, Chile, Portugal, Espanha mas é na França que temos o exemplo mais característico é o Sauterne e o mais top é o Chateau de Yquen. Esse tipo de vinho é muito caro pois tem 100% de uvas botritizadas colhidas manualmente bago por bago! Não é um luxo?
Ice Wine
Como o nome diz é o vinho feito por uvas congeladas, tem exemplos de congelamento natural na Alemanha, Norte do USA e no Canadá e alguns exemplo de uvas congeladas artificialmente na Austrália e nova Zelândia.O processo de concentração do açúcar se baseia no congelamento da água dentro do bago. Vamos fazer uma viagem de volta no tempo para a 7 série... a água quando congela se torna pura, pois a ligação é feita exclusivamente entre as moleculas de H2O, nessa ligação qualquer outra molécula dissolvida na mistura é empurrada paa o lado. Um exemplo simples e fácil de lembrar é uma propaganda de wihsky antiga que o mocinho toma a bebida com o gelo que pegou da geleira, o gelo não é salgado, pois na sua formação o sal é expulso e o gelo fica puro.... já pensou a cara do ator se tomasse whisky com sal??? O mesmo acontece no caso do ice wine, o gelo se forma no centro da uva e expulsa o açúcar para a casca, daí essa bolinha de água pura é retirada e só sobra a casca pouca água e o açúcar, uma forma de concentração diferente. Daí ocorre a fermentação. É um processo caro, por isso o vinho tem preços elevados.
Crio concentração
Todo mundo confunde a crioconcentração com o Ice wine, mas a diferença básica é que na crioconcentração ocorre apenas a formação de alguns cristais de gelo e depois há uma prensagem leva das uvas. A casca retém os cristais de gelo e só escapa a água com açúcar com uma concentração maior e é esse suco concentrado que sai da prensa que é fermentado. Bem diferente do Ice Wine que é fermentado com as cascas.Os vinhos de crioconcentração geralmente são menos alcoólicos, um exemplo é o FLP da Filipa e do Luiz Pato.
O post está enorme!!!! No próximo eu falo dos vinhos fortificados e dos espumantes doces para terminarmos com os vinhos de sobremesa.
Bjos,
Iví K. Amárál

22 de agosto de 2009

Vinho para dar de presente

Olá pessoal,

Vcs se lembram do meu lema? “Vinho tem a ver com a companhia e a ocasião”. Então para dar um vinho de presente vcs têm que ter bom senso! Não pode gastar vela boa com defunto ruim e não precisa gastar o salário com um vinho que a pessoa nem tem noção do que se trata. Uma vez servi queijo Brie importado e meu convidado perguntou se aquilo era catupiry... quase chorei! Mas a errada na história sou eu.

Algumas regras básicas de conduta: nunca comente o preço!!!! Pois o preço de vinhos é muito relativo, muitos podem achar um vinho de R$ 50,00 muito barato, outros podem achar muito caro. De qualquer forma é bom evitar se passar por pão-duro ou por esnobe.

É totalmente permitido comentar alguma curiosidade sobre o vinho em questão: só não vale dar uma aula de duas horas e chatear todo mundo.

Sobre o tipo de uva: essa carmenére é de origem francesa, achava-se que estava extinta, mas foi redescoberta no Chile no meio das plantações de merlot, essa petit syrah é mais parecida com tannat do que com syrah, apesar do nome; a garnacha espanhola não tem a mesma genética que a grenache francesa; a primitivo de mandúria da Itália tem a mesma genética que a zinfandel dos USA, a sauvignon blanc é a uva emblemática da Nova Zelândia, a pinotage é o cruzamento genético de pinot noir+cinsault... entre outras.

Sobre a safra: só se for algo positivo, não vale dizer esse vinho é de 2002 que foi uma safra horrível, a pior de todos os tempos! Em 2007 foi um ano com botrytis (fungo que dá um upgrade nos vinhos de sobremesa) no Chile. A safra de 1999 foi excepcional no Brasil, 2005 tb!

Sobre a região: Lisboa é uma região de Portugal que mudou recentemente de nome, antigamente chamava-se Estremadura, mudou de nome para não confundir com a Extremadura da Espanha. Antigamente no Priorato da Espanha as terras eram compradas a preço de banana, depois da descoberta do potencial vitivinícola hj o metro quadrado vale ouro!

Sobre a pontuação: esse vinho tem 92 pontos no Robert Parker (profissional que avalia vinhos), ou 95 na Wine Spectator (publicação).

Enfim, é sempre bom enfatizar e dar um valor a mais no presente, isso significa que vc se importa.

Algumas situações:

Vinho para pai: no meu caso, por exemplo, é o de caixinha: bom e barato, ele não entende muito mesmo e para quem não entende o ideal é o levinho e doce, mas como ele é diabético, eu evito os doces e só compro os secos. Se o pai conhecer um pouco mais sobre o assunto aconselho escolher algo diferente, um espanhol de tempranillo, ou um português do Douro ou do Dão (regiões vinícolas) de touriga nacional, carne de vaca é bom mais enjôa... e como pai a gente só tem um, pode tirar o escorpião do bolso e gastar mesmo.

Vinho para o cunhado: como quase todos os cunhados são metidos a sabichões, então vá para os argentinos e chilenos tintos de uvas mais conhecidas: malbec, cabernet sauvignon, carmenére, pq assim eles podem dar todas as explicações sobre os vinhos. Além disso, não precisa ser caro, pois afinal eles nem vão sentir a diferença, vão engolir o vinho num gole só. Opte por marcas pouco conhecidas, assim ele não saberá o preço e não tem como comparar.

Vinho para a sogra, tia mais velha ou avó.... esse é fácil, branquinho, levinho e docinho. Asti Espumante, Frascati, Alemães (só não vale da garrafa azul), Moscate, esses vinhos são mais acessíveis, só não vale deixar a fofa empolgada, pq vc sabe que gente bêbada tem a língua solta e vc pode acabar ouvinho o que não quer...

Vinho para o chefe: espumante é uma boa pedida, champagne (mais caro), cava (mais acessível), franciacorta, prossecco, blanc de blancs francês, espumante nacional só se for do tipo premium. E se for num jantar ou evento do trabalho o espumante combina com quase tudo, daí vcs não corre o risco de levar um vinho tinto super encorpado num jantar com peixes e frutos do mar. Para dar de presente escolha os franceses e italianos de regiões mais conhecidas: Piemonte, Toscana, Bordeaux, Rhône... e de preferência produtores famosos. Lembre-se preço não é o fator mais importante.

Uma sugestão: a maioria das lojas de vinho têm pessoas especializadas que podem indicar bons rótulos, não se esqueçam de deixar bem claro para quem é o vinho, que ocasião e quanto vc quer gastar!

Boas compras!!!!

Bjos,

Iví K. Amárál