Aulas para grupos, palestras para empresas, carta de vinhos e treinamento para restaurantes e lojas. Elaboração de cardápios para harmonização enogastronômica. Coordenação de eventos: degustação de vinhos, serviço do vinho, feiras e jantares harmonizados.

11 de maio de 2008

Para os iniciantes - Vinhos do Velho Mundo

Conforme trilhamos o nosso caminho nessa área de conhecimento, começamos a gostar de vinhos mais complexos, o nosso paladar fica cada vez mais apurado e exigente. Antes eu amava Bolla Valpolicella, hj eu não gosto tanto assim...

Uma amiga minha, a PO, conta que logo nas suas primeiras degustações, qdo ainda era uma jovenzinha iniciante, ela tomou um champagne chamado KRUG, que é um dos melhores champagnes do mundo e odiou... isso é muito comum, pois ela ainda não tinha maturidade suficiente para compreender aquele vinho. Mas agora ela já está crescida e mudou totalmente de idéia em relação ao Krug , né PO? Porque quem toma um champagne desses, jamais se esquece...O meu sogro gostava do tal Conde de Valmont, um vinho branco bem leve que ele comprava de monte no Pão de Açúcar, depois que levamos alguns vinhos argentinos e chilenos (bem porradas) para ele degustar, na penúltima garrafa do estoque ele veio nos perguntar se tal vinho estava estragado. Daí dissemos que o vinho era assim mesmo por causa do estilo leve e descompromissado e a resposta foi a melhor: "mas que droga, eu ainda tenho mais uma garrafa!". Ele alegou que o vinho estava aguado!

Estórias à parte os vinhos do Velho Mundo, os europeus, são diferentes pois além de terem mais tradição, mais capital e mais estoque que os vinhos do Novo Mundo, são elaborados no conceito de terroir, onde o vinho é fruto da terra de do trabalho e em hipótese alguma pode haver a intervenção do homem na Natureza.

Para alguns países há legislações muito sérias, regras para controlar os produtores e manter a tradição. Por exemplo em algumas regiões não é permitido a irrigação das parreiras, adubação, aplicação de certos produtos agratóxicos. Na fabricação do vinho o produtor não pode acidificar, chaptalizar, ou chiptalizar (o que é isso?, fica pra próxima) e em casos mais extremos nem as leveduras podem ser "criadas em laboratório". O vinho, nesse caso, é o produto da vontade de Deus... se a safra é boa a gente agradece, se a safra é ruim a gente lamenta...

É um jeito mais tradicional de se fazer o vinho, por isso os vinhos do Velho Mundo são mais complexos, elegantes e interessantes de se provar. Eles são melindrosos e revelam os seus encantos aos poucos. Alguns levam anos para estarem prontos para o consumo e só melhoram com um tempo de envelhecimento na garrafa 5, 10, 20 anos e ainda estão com os taninos presentes, desenvolvem aromas terciários e uma cor intrigante. Por lado há vinhos como o beaujolais noveau que precisa ser consumido no mesmo ano de produção.

Enfim, os dois lados da mesma moeda, mas claro que não é igual a guerra fria onde há o Bem X o Mal. Não há certo nem errado, novo mundo e velho mundo são conceitos teóricos que vão muito além das delimitações geográficas, é um estilo de produção, um estilo de vinificação e condução de um negócio.

Atualmente vemos uma convergência nos dois conceitos, produtores com mais tradição de mercado buscam novas soluções tecnológicas em equipamentos e processos e os produtores mais novos ganham mais credibilidade e tendem a produzir vinhos mais longevos e muito em breve teremos o conceito de terroir fora da Europa.

8 de maio de 2008

Para os iniciantes - Vinhos do Novo Mundo

Uma coisa que eu gosto muito é quando as pessoas vem me pedir conselhos sobre que vinho comprar, que vinho levar num certo jantar, que vinho dar de presente etc.

Eu fico muito feliz quando os meus amigos se lembram de mim nesses momentos de dúvidas...

Eu não sou muito boa para me lembrar de preços, nisso quem é especialista é o Max, mas eu me lembro muito dos estilos, principalmente de como eu me senti quando eu bebi e com quem estava acompanhada quando bebi, muito importante!

Então, para os marinheiros de primeira viagem, uma dica é começar pelos vinhos mais simples e mais fáceis de beber, os tipo "easy drink" que são redondos, florais, frutados, com taninos macios e acidez equilibrada. É melhor começar pelos argentinos e chilenos, que são baratos e muito bons. Depois pulem para os neozelandeses, australianos, sul africanos e norte americanos (ou como diria a minha professora de economia estadosunidenses), mas são mais caros.

Os vinhos nacionais são de excelente qualidade, os espumantes pricipalmente, só não vale vinho de garrafão! Pode vinho de caixinha tipo BAG, porque são baratos, ecologicamente corretos, já que gastam menos material para embalagem e duram muito mais depois de abertos, porque o sistema de serviço de torneirinha não deixa o vinho entrar em contato com o ar.

Todos esses vinhos que eu mencionei são do Novo Mundo, os vinhos que usaram o marketing das UVAS VARIETAIS e produzem vinhos com curta vida de 1 a 5 anos. Os vinhos são prontos para o consumo imediato, não melhoram com o armazenamento. Nesse caso vinho velho não é vinho bom... é vinho morto e podre!!!! Na adega aqui de casa só guardamos os vinhos mais caros e aqueles que merecem ser envelhecidos, os outros eu deixo na geladeira, no bar, no escritório, daqui a pouco nem o banheiro de visitas vai escapar...

E esses países optaram por produzir os vinhos de uma uva só, uma jogada de marketing fantástica para quem não tinha tradição, nem estoque centenário, nem grande capital de giro, nem terroir (mais tarde eu conto que bicho é esse). Alguns exemplos de uvas emblemáticas:

Argentina: Malbec (uva de origem francesa que faz parte do corte bordalês, vinhos de Bordeaux)

África do Sul: Pinotage (clone das francesas Pinot Noir + Cinsault)

Brasil: Merlot ou Ancellota (uma dúvida cruel, mas tradicionalmente se fez muito vinho de uva Isabel, uva de mesa não vinífera)

Chile: Carmenére ( considerada extinta na França pela filoxera, uma praga, e foi redescoberta recentemente)

EUA: Zinfandel (uva de origem croata, prima da uva italiana primitivo)

Austrália: Shiraz (ou syrah na França)

Nova Zelândia: Sauvignon Blanc (a única uva branca da lista)

Nota-se a uva é malbec, o vinho não é malbec... vc pede um vinho argentino de uva malbec e nunca um malbec, se vc continuar a dizer isso um dia alguém lhe trará um CACHO DE UVA e não uma garrafa de vinho. E esse vinho, feito dessa uva NÃO COMBINA COM PEIXE NEM FRUTOS DO MAR!!!!! Em hipótese alguma!!!! Esse bichão combina com carnes pesadas.