Aulas para grupos, palestras para empresas, carta de vinhos e treinamento para restaurantes e lojas. Elaboração de cardápios para harmonização enogastronômica. Coordenação de eventos: degustação de vinhos, serviço do vinho, feiras e jantares harmonizados.

24 de novembro de 2008

Produção de Vinho Branco

A grande diferença na produção de vinhos tintos e vinhos brancos é que o vinho branco é vinificado sem as cascas. A cor é extraída atravéz do contato das cascas com o mosto, a maceração longa que passa taninos e polifenóis para o produto.
É possível se fazer vinho branco de cascas tintas, pinot noir no champagne é um exemplo, mas é impossível fazer vinho tinto de uvas brancas e não se esqueçam vinho branco praticamente não tem taninos!

Colheita
As uvas podem ser colhidas por máquinas (vinhos comuns), ou manualmente cortando-se os cachos um por um (vinhos mais selecionados), ou arrancando bago por bago no caso de vinhos botririzados especiais (Château d’Yquem por exemplo).
A colheita é realizada quando a uva atinge a maturidade de açúcares (medidas em graus Brix) e a maturação fenólica (na prática a semente tem que estar crocante quando mastigada), se colhida antes o vinho pode não desenvolver o teor alcoólico desejado ou ter taninos muito duros. Para a produção de um grau alcoólico são necessários 17-17,5 g/l de açúcares na uva.

Transporte
É uma etapa importante pois evita que as uvas fermentem antes do desejado sem o controle de temperatura, o objetivo é manter a integridade dos cachos o maior tempo possível do vinhedo até a fábrica.
Pode ser feito em caminhões onde as uvas colhidas são despejadas na caçamba, esse processo destrói até 80% das uvas e é feito para vinhos mais simples, pois a qualidade cai devido a fermentação precoce e sem controle. O transporte em caixas de 10-20Kg é mais indicado para manter a integridade dos cachos, mas o custo da mão-de-obra é maior.

Seleção dos cachos
Esse processo é manual e pode ser feito no vinhedo na hora da colheita ou na fábrica em esteiras rolantes antes do desengace. São retiradas uvas verdes, uvas podres, folhas e outros elementos.

Desengaçamento
É a separação dos bagos de uva e dos engaços, esse processo é feito pelas desengaçadeiras e a mais comum é em espiral. Esse processo é necessário para eliminar os taninos grosseiros e eliminar a característica herbácea do vinho.

Prensagem
É o rompimento das cascas para separação do suco, usa-se as prensas pneumáticas. Deve-se regular o equipamento de forma que não haja o esmagamento das sementes. O resultado dessa etapa é o mosto que pode ser classificado da seguinte forma:
Mosto flor: formado pelo escorrimento gravitacional, sem prensagem mecânica, é mais rico em açúcares, menos ácido e menos tânico, o seu rendimento é menor.
Mosto comum: produto da prensagem das uvas, sua qualidade varia de acordo com a pressão utilizada, quanto maior a pressão, menor é a quantidade de açúcar e maior é a quantidade de ácidos e taninos, seu rendimento é maior. O tipo de mosto utilizado na fermentação depende da escolha do enólogo.
Nessa etapa também corre a adição de sulfitos, o mais comum é o dióxido de enxofre (SO2), esses conservantes têm a função de inibir a ação das leveduras e bactérias selvagens e impedir a oxidação do vinho.

Clarificação
O mosto é clarificado por decantação, filtração ou centrifugação etapa efetuada para retirar de suspensão várias partículas como restos de casca, engaço, terra e folhas.

Correção do mosto
Feita somente em alguns países cuja legislação é permissiva. No Brasil é permitida a correção da quantidade de açúcar, o processo de chaptalização, devido a alta umidade na época da colheita, a uva não consegue atingir o grau de maturação sufuciente e é colhida ainda verde antes de apodrecer, essa adição corrige a quantidade de álcool final do produto.
A acidificação com ácido tartárico ou málico para aumentar o pH, pode ocorrer em países muito quentes onde a uva não consegue desenvolver uma acidez suficiente.
A desacidificação com carbonato de cálcio ou bicarbonato de potássio pode ocorrer em países muito frios em que a acidez da uva é alta. Essa prática de correção do mosto é uma opção do produtor e nem todos os países permitem essa prática.

Fermentação alcoólica
A transformação dos açúcares do mosto em álcool é realizada pelas leveduras do tipo Saccharomyces, sendo a mais usada a Saccharomyces cerevisiae. O processo pode ser realizado em recipientes de madeira, que tem como resultado a alteração do perfil aromático, a desvantagem desse método é que há uma grande dificuldade na limpeza do recipiente e no controle de temperatura que pode afetar a qualidade do produto.
Fermentações que ocorrem tanques de aço inox são mais comuns, pois além de inertes, esses tanques possuem uma boa hermeticidade e permitem a adaptação de vários acessórios, com fácil limpeza e alto controle de temperatura.
Em alguns poucos casos a fermentação ocorre também em tanques de cimento com uma camada de epóxi, esse processo tem as mesmas desvantagens da madeira.
O tempo e temperatura de fermentação dependem do produtor e do estilo do vinho, em brancos geralmente a temperatura e tempo são mais baixos que nos tintos até 18°C por até 2-6 semanas. Todo o processo deve ser feito sem a presença de oxigênio para evitar a oxidação/degradação do produto.
A fermentação alcoólica é interrompida com o aumento rápido de temperatura, a diminuição brusca de temperatura, o aumento da quantidade de álcool sendo produzido pelo próprio metabolismo das leveduras ou pelo acréscimo de álcool vínico.

Fermentação maloláctica
É a transformação do ácido málico em ácido láctico por bactérias lácticas (as mesmas que produzem iogurte). Feita somente em alguns vinhos a critério do produtor, a opção por esse processo é devido ao ácido málico ser mais rústico e pungente do que o ácido láctico, essa mudança deixa o vinho mais elegante, além de proporcionar uma untuosidade na boca. Além disso há uma alteração das características olfativas do produto com o acréscimo de aromas lácteos (manteiga e iogurte).

Trasfega
É o processo físico de transferência de um tanque para o outro com o cuidado de separar as partículas em suspensão, utiliza-se bombas ou somente a pressão da coluna do líquido, ou gravitacional. No processo de fabricação a transfega é realizada em diferentes fases: trasfega do mosto antes da fermentação, trasfega do vinho depois da fermentação, trasfega do vinho para a estabilização.

Sur Lies e batonnage
Alguns vinhos podem permanecer sur lies, isto é em contato com as próprias borras, tempos depois da fermentação para as leveduras sofrerem um processo de autólise (morte celular) e ter a sua membrana rompida, assim alguns aromas de pão e fermento passam para o vinho.
A batonnage é o processo de remexer essas borras e fazê-las voltar em suspensão e aumentar a velocidade da autólise.

Clarificação
É a segunda limpeza do processo, pode ser por métodos físicos idênticos ao da clarificação do mosto (filtração ou centrifugação), ou pode ser química, o que chamamos de colagem, que nada mais é a aglutinação das partículas suspensas no vinho catalisado por substâncias coagulantes, as mais usadas são a clara de ovo, a gelatina, a caseína e a bentonita.
Quando o produtor quer manter a característica de fruta fresca no vinho a retirada das borras é feita imediatamente após o fim da fermentação.

Estabilização
Esse processo visa manter a integridade do vinho em meio aos interpéries externos como transporte e armazenamento fora da adega. Existem três tipos de estabilização:
Ao calor: para o vinho não ficar turvo quando ficar sujeito à temperaturas elevadas no transporte ou armazenamento, utiliza-se a bentonita que remove as proteínas que causam essa turvação.
Ao frio: para eviatr a formação de cristais de bitartarato de potássio quando resfriado na garrafa, antes da filtração o vinho é resfriado a -4°C por até 4 semanas, forma-se então os cristais que são retirados e depois o vinho é filtrado e engarrafado.
Microbiológica: para evitar que haja fermentações indesejáveis de leveduras ou bactérias depois do vinho engarrafado. Essas fermentações são raras, pois há uma concentração muito grande de conservantes e geralmente as quantidades de álcool, ou açúcar, ou ácidos são tão altas que inibem qualquer possível fermentação posterior, mas caso o produtor ainda queira se assegurar que não haja nenhuma possibilidade disso ocorrer, realiza uma microfiltração usando membranas especiais para retirar todo e qualquer microorganismo do produto. É um processo de esterilização a frio.

Amadurecimento
O amadurecimento pode ser feito em grandes tanques de inox ou em barris madeira, essa escolha vai depender da estrutura do vinho, do tipo de uva e das características finais que o produtor deseja para o produto, vinhos leves e frutados geralmente não passam por madeira, são raros os vinhos brancos que têm uma estrutura que aguente as alterações resultantes dessa interação.
Essa estapa tem como objetivo dar mais complexidade nos aromas e melhorar a textura do produto final.

Corte ou assemblage
Mistura de vinhos antes do engarrafamento, o enólogo pode misturar vinhos com diferentes uvas, de diferentes regiões, de diferentes safras com porcentagens diversas, o céu é o limite para a sua criação. O objetivo é obter um vinho melhor, mais aromático e equilibrado.

Filtração
O vinho branco geralmente passa por essa etapa, pois o aspecto límpido e brilhante é a sua principal característica. Usa-se filtros verticais do tipo milipore, terra diatomácea ou a centrifugação convercional.

Engarrafamento
Nos vinhos brancos o engarrafamento deve ser cuidadoso pois o vinho não pode entrar em contato com o ar de forma alguma para evitar a oxidação e o escurecimento do produto.

Envelhecimento na garrafa
São raros os vinhos brancos que envelhecem bem na garrafa, geralmente são feitos para consumo imediato até 3 anos.

21 de novembro de 2008

Produção de Vinho Tinto

Colheita
As uvas também podem ser colhidas por máquinas ou manualmente quando a uva atinge a maturidade de açúcares, a maturidade fenólica e um certo grau de acidez. Como nos brancos para a produção de um grau alcoólico são necessários 17-17,5 g/l de açúcares na uva.

Transporte
O cuidado de se manter a integridade dos cachos também é levado em consideração. Pode ser feito em caminhões ou em caixas de 10-20Kg. O uso do SO2 deve ser feito com parcimônia pois em excesso além de causar uma perda de cor, gera um aroma desagradável de fóforo ou ovo podre.

Seleção dos cachos
Da mesma forma que no vinho branco pode ser na colheita ou antes da desengaçadeira em esteiras rolantes. Os critérios de seleção são o fator essencial para a melhor qualidade do vinho.

Maceração carbônica
Em alguns vinhos especiais as uvas desengaçadas inteiras são colocadas em tanques herméticos e resfriados onde todo o oxigênio é retirado e injetado CO2. Nesse ambiente anaeróbico ocorre uma fermentação no interior do bago da uva promovido por suas próprias enzimas. A casca fica fina pois todo material corante migra para a polpa e o bago fica inchado e pode até se romper. Esse processo tem como objetivo extrair o máximo de cor e de aromas da fruta. Feito inicialmente para vinhos Beaujolais Noveau na França. Como é um processo caro é somente feito para vinhos especiais.

Desengaçamento e prensagem
Esses dois processos podem ser feitos no mesmo equipamento a separação dos engaços e o rompimento das cascas sem que haja o esmagamento das sementes. O resultado dessa etapa é o mosto. A diferença é que nesse caso é a presença das cascas na fermentação.

Correção do mosto
Chaptalização: adição de acúcar no mosto (processo permitido no Brasil e em países muito úmidos em que a uva não amaduce corretamente)
Acidificação: adição de ácido cítrico (países muito quentes em que o calor não permite o desenvolvimento da acidez natural)
Desacidificação: adição de soda para diminur a acidez (países muito frios que a uvas desenvolvem uma grande acidez)

Fermentação alcoólica
Também usada a Saccharomyces cerevisiae na transformação dos açúcares em álcool. Novamente pode ser feita em recipientes em inox, madeira ou tanques de cimento com revestimento de epóxi. O tempo e temperatura de fermentação são bem mais altos que os branco tintos de 26-30°C por até 2 meses. Todo o processo deve ser feito com a presença de oxigênio para melhorar a extração de cor e aroma. Também pode ser interrompida da mesma maneira como nos brancos por temperatura, falta de açúcar, ou acréscimo de álcool.

Remontagem ou remuage
O mosto possui as partes sólidas que ficam na parte superior do tanque em suspensão. Essa camada se chama chápeu e o processo de “molhar o chapéu” deve ser feito para melhorar a extração de cor e taninos das cascas e manter a oxigenação do tanque impedindo que essa camada endureça e deixe a coluna de líquido sem oxigênio, assim em ambiente anaeróbico as leveduras podem produzir ácido acético ao invés de álcool. A remontagem é feita várias vezes ao dia por pistões que empurram o chapéu para baixo, ou bombas e mangueiras que levam o vinho da parte inferior para a parte superior em forma de jato.


Maceração
É o tempo de contato das cascas com o mosto durante o período de fermentação. O produtor é quem decide o tempo, quanto maior contato mais tanino e cor são extraídas, por outro lado também podem passar compostos amargos e taninos mais grosseiros. Em alguns casos pode ocorrer a maceração prolongada que é mater as cascas em contato com o vinho, mesmo depois de terminada a fermentação. A maceração curta é feita na produção de vinhos rosés.

Fermentação maloláctica
Mais comum em vinhos tintos do que brancos é a transformação do ácido málico em ácido láctico por bactérias lácticas com intuito de diminuir e melhorar a acidez.

Trasfega
Feita depois da fermentação e antes da clarificação para retirar o vinho mais nobre.

Prensagem
Nesse caso, diferentemente dos vinhos brancos, é usada para retirar o “vinho de prensa”, aquele vinho que ficou nas cascas e que não foi removido pela trasfega. O vinho de prensa é de qualidade inferior pois tem mais taninos e componentes amargos, pode ser usado para cortes (dar estrutura ao vinho) ou para produção de destilado. Usadas prensas pneumáticas nessa etapa.

Clarificação e estabilização
Métodos físicos ou químicos idênticos ao vinho branco, no entanto a estabilização ao calor geralmente não é feita pois as proteínas se aglutinam aos taninos e são retiradas na fase posterior de amadurecimento e a estabilização a frio pode ocorrer antes do engarrafamento, se houver necessidade.

Amadurecimento
Como nos vinhos brancos o amadurecimento pode ser feito em tanques de inox ou em madeira e, ao contrário dos brancos, são raros os tintos que não passam por madeira.
É nessa fase que os taninos se integram com os outros compostos e o vinho fica redondo. Existem vários tipos de madeira que podem ser usadas, as mais comuns são o carvalho francês que é mais duro, menos poroso e mais caro, pois o seu rendimento na produção das barricas é menor, cede ao vinho um aroma tostado, baunilha e chocolate. O carvalho americano é mais poroso e um pouco mais barato que o francês pois o seu rendimento na produção de barricas é maior, cede ao vinho um aroma bem característico de coco. Claro que o grau de tosta, quantas vezes o barril foi usado e o tempo de permanência também são importantes na composição do produto final.
A chiptalização é um processo que é realizado para vinhos mais baratos, trata-se de chips de madeira, que são acrescentados nos barris de inox para dar a característica aromática típica. É um método mais barato, mas o resultado nem sempre é muito bom, pois transfere uma grande quantidade de substâncias amargas também. Além dos chips podem ser usadas chicanas ou estacas que são amarradas em círculos dentro dos tanques, ou um sachê com pó de madeira envolto em pano de algodão, podem ser adicionados tanto na fermentação ou no amadurecimento. Esse método não consegue reproduzir a microoxigenação que ocorre nos barris de madeira, então não há uma boa integração dos taninos com as outras substâncias.
Essa prática geralmente não é divulgada nos rótulos dos vinhos, por ser um tanto pejorativa, muito pelo contrário estará descrito somente que houve um estágio em madeira. Um jeito de reconhecer é simples, um vinho muito barato que tem a descrição com passagem em madeira é um provável candidato. O vinho em si também é muito fácil de reconhecer na boca pois o amargor é muito acentuado e os taninos são muito abundantes e grosseiros.

Corte ou assemblage
A mistura de vinhos antes do engarrafamento que pode ser de diferentes uvas, de diferentes regiões, de diferentes safras com porcentagens diversas, com vinho de prensa ou não. Essa fase que dá a característica essencial do vinho, a sua personalidade.

Filtração
Etapa totalmente opcional que não altera de forma alguma a qualidade do produto, somente o aspecto das borras que pode desagradar a alguns consumidores.



Engarrafamento
Nos vinhos tintos o engarrafamento deve ser cuidadoso mas diferente do vinho branco não precisa ter um cuiddo extra para não entrar em contato com o oxigênio em muitos casos um pequeno sopro de gás é colocado para a melhor evolução do vinho.

Envelhecimento na garrafa
Quase todos os vinhos tintos melhoram com o envelhecimento na garrafa pois os taninos se complexam e ficam redondos, mas somente uma pequena parcela envelhece e melhora com mais do que 5 anos. Lembrem-se de que nem todo vinho velho é vinho bom.

12 de novembro de 2008

Vinho só se bebe na temperatura ambiente?

Sim... só se for na Europa, onde é mais friozinho!!! Aqui nesse calorão é obrigatório dar uma resfriada leve na garrafa antes de servir. A maioria dos vinhos tintos se bebe de 16-18°C e vinhos brancos de 8-10°C. Nota-se que há uma grande diferença entre temperatura de serviço e temperatura de armazenagem.

O ideal é armazenar os vinhos em uma adega climatizada que pode ser uma daquelas pequenas que parecem geladeira ou até grande salas com ar condicionado. Todos os vinhos brancos tintos, espumantes, doces ficam armazenados na mesma temperatura de 14 a 16°C. Mas quem não tem cão caça com gato se você não tiver uma adega climatizada basta colocar os seus vinhos em um local escuro, mais frio possível e que não bata sol. Longe da cozinha e do banheiro!!!!

O controle de umidade é importante para evitar o resecamento precoce da rolha, mas aqui em São Paulo raramente é tempo de muita seca e a maioria das adegas climatizadas comerciais nem possuem esse dispositivo de controle, um potinho com água ou um paninho úmido já resolve o problema.

O tipo armazenagem está diretamente ligada à forma de evolução do vinho que pode ser positiva ou negativa. O que isso significa? Pegamos duas garrafas da um vinho do mesmo produtor, da mesma uva e safra, um fica armazenado na adega climatizada e o outro embaixo da pia da cozinha. Depois de dois anos vamos analisar as condições da cada um. O primeiro possui uma cor rubi o segundo já possui uma cor granada, os aromas do primeiro são agradáveis de fruta madura, o segundo tem aroma de ácido acético, mas é na boca que está a grande diferença, o primeiro está macio com taninos evoluídos, o segundo está grosseiro com uma acidez pungente muito desagradável. Os dois vinhos evoluíram, mas um teve uma evolução melhor do que o outro. Então, podemos dizer que o calor e as perturbações sonoras que o vinho sofreu embaixo da pia o fez evoluir mal, pois a qualidade final dos dois está diferente.

No caso de serviço dos vinhos brancos mesmo aqueles armazenados em adegas devem ser resfriados antes de servir. Por que não podemos deixar todos os vinhos em 10°C? Não podemos fazer isso, pois o frio é caro e gastaríamos muita energia para manter uma adega nessa temperatura, além disso os vinhos demorariam muito para evoluir, na Islândia as adegas climatizadas são aquecidas, pois lá é muito frio e para o vinho evoluir bem é necessário aquecê-lo, pois os frio inibe as reações químicas de evolução. Vinhos retirados de navios naufragados são caríssimos, pois o frio do oceano os preservou e podemos tomar um vinho do séc XVI exatamente como ele era na época e sem precisar de máquina do tempo!

6 de novembro de 2008

Argentina

Gastamos as nossas milhas em um final de semana em Buenos Aires, confesso que fiquei muito surpresa com a cidade, as construções são bem no estilo européia altas bem conservadas, mas com as calçadas no estilo tupiniquim, um horror pro meus saltos agulha!
O que me chamou muito a atenção foi as lojas de vinho, só tinha vinho argentino!!!! Por que o espanto? Porque que achei o máximo esse nacionalismo, quem dera se no Brasil tivéssemos essa mesma facilidade para encontrar os nossos próprios vinhos.
Não vou discutir a qualidade do vinho argentino em vista do vinho nacional, mas ainda não sei porque no futebol todo mundo odeia a Argentina e na questão dos vinhos nada melhor do que um Malbec. Já ouvi dizer que para não errar, basta pedir um malbec argentino... enfim, heresias à parte e quem disse isso não sabia o que estava falando e vinho malbec NÃO combina com camarão!!!!
E logo depois que voltamos fomos numa degustação da Wines of Argentina e conheci a enóloga supra sumo Susana Balbo, nada mais justo do que dedicar a postagem de hoje para nossos "hermanos".

REGIÃO NORTE

Salta
A região de Salta começou com a viticultura na época dos conquistadores espanhóis, séc XVI, extremamente árida com alta insolação e alta amplitude térmica. A sua principal sub-região é o Vales Calchaquíes, na verdade é errônea essa denominação no plural, já que trata-se apenas de um rio, mas a tradição se manteve e o nome foi preservado. Também nessa área encontra-se: Cafayete, Colomé e Yacochuya. As principais castas: Torrontés, Malbec, Cabernet Sauvignon e Tannat.

Catamarca
Uma região pequena com recente tradição para os vinhos finos, tem irrigação do Rio Abucán. As suas principais castas são: Torrontés, Syrah e Cabernet Sauvignon.

REGIÃO DE CUYO

La Rioja
O vale está entre as montanhas da Serra de Velasco e Serra da Famatima, o clime é árido e seco com ventos fortes, possui alta amplitude térmica e o solo é de alivião, muito salino. Algumas sub-regiões conhecidas: Nonogasta, Chilecito, Famatima e Antinarco. A principal uva é a Torrontés. A região é conhecida pelas inovações tecnológicas na irrigação do vinhedo e na produção do vinho.

San Juan
É a segunda região que mais produz vinho e a mais quente de todas com solos arenosos e argilosos. Possui uma porção de vales, entre ele os mais importantes: Tulum (às margens do Rio San Juan), Ullum-Zonda, Calingasta, Jáchal, Iglesia e Fértil. As uvas cultivadas são diferentes das existentes em todo o país entre elas: Bonarda, Greco Nero, Moscatel de Alexandria, Pedro Jiménez, além das tradicionais Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Malbec, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier.

Mendoza
É a mais importante das províncias vitivinícolas da Argentina, com 75% de toda a produção vinícola no país, possui 146.000 hectares de vinhedo. A sua indústria está cada vez mais orientada na busca da qualidade e na maior expressão entre variedades e terroirs. Com certeza, possui uma diversidade invejável pois os terroirs são muito diferentes entre si e cada um com sua própria identidade, composição do solo e altitude. A região pode ser dividida em cinco grandes zonas, ou sub-regiões.

Norte de Mendoza
Abrange os departamentos de Lavalle, Maipu, Guaymallen, Las Heras e San Martin. É uma zona mais baixa irrigada pelo Rio Mendoza, possui declives suaves e onde predominam os solos arenosos de areias finas. A região é adaptada para a produção de vinhos brancos como o Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Ugni Blanc e Torrontés. Já as variedades tintas temos: Syrah, Cabernet Sauvignon, Malbec e Bonarda.

Leste de Mendoza
O leste mendocino é a área mais poderosa considerando a quantidade de vinícolas ali localizadas, apresenta diferenças substanciais de clima, solo e temperatura. Compreende os departamentos de Junin, Portland, San Martín, La Paz e Santa Rosa. Nas áreas mais próximas a Mendoza, os solos têm pouca capacidade para drenar a água, mas no departamento de Santa Rosa e Cebu, localizados ao leste, encontramos típico clima deserto, com um solo arenoso que não retém água. Além disso, esta área possui uma grande amplitude térmica. No leste se cultivam todas as variedades, mas as de maior expressão são: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin, Torrontés e Viognier e a Sangiovese, Syarh, Bonarda e Tempranillo, entre as tintas.

Rio Mendoza
Os departamentos de Lujan de Cuyo e Maipu são considerados as regiões mais antigas e tradicionais na produção vitivinícola, também conhecida como a "zona pioneira" dos vinhos argentinos. Tal denominação não é por acaso, pois os seus rótulos estão entre os melhores na produção do país. A sua localização privilegiada ao sul da cidade de Mendoza, em alturas ideais e sobre os melhores solos da província, contribuiu significativamente para esse propósito. Sua altitude varia de 650 m para 1060 acima do nível do mar. A casta mais característica a Malbec, produz o vinho mais emblemáticas da região. Também são encontradas variedades Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Pinot Negro. Entre os brancos a Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Valle de Uco
Essa região junto com Rio Mendoza têm despertado maior interesse para os investimentos estrangeiros que entraram no país desde 1990. Esta área atinge as maiores altitudes da província: até 1.400 m acima do nível do mar. Os seus departamentos são: Tupungato, Tunuyán e San Carlos. Especializada em produzir vinhos de longa guarda devido a excelência na produção vinícola. As principais uvas: Semillón, Chardonnay, Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo e Syrah.
Sul de Mendoza
Está localizado entre 34,5º e 35º de latitude sul e inclui os departamentos de San Rafael e General Alvear. A região decresce de 800 metros acima do nível do mar, a 450 metros. É a principal produtora da uva Chenin Blanc, além da e uvas Chardonnay, Malbec, Sauvignon, Merlot e Cabernet Sauvignon.

PATAGÔNIA

Neuquén
É o pólo de viticultura que mais cresceu nos últimos tempos localiza-se na latitude mais afastada ao sul no paralelo 40º, zona fria com ventos fortes e baixa altitude comparada com o resto do país. As principais cepas: Malbec, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Semillón.

Rio Negro
Localizado no vale do rio com o mesmo nome possui a temperatura média de 15ºC. Destaca-se a produção de Pinot Noir e Merlot, mas também cultiva-se o Cabernet Franc e a Semillón.
Bibliografia: Wines of Argentina