Aulas para grupos, palestras para empresas, carta de vinhos e treinamento para restaurantes e lojas. Elaboração de cardápios para harmonização enogastronômica. Coordenação de eventos: degustação de vinhos, serviço do vinho, feiras e jantares harmonizados.

29 de dezembro de 2008

Viña Santa Carolina Merlot 2007

Olá pessoal,
Eu me adiantei na postagem pois estou num Cruzeiro da Royal Caribbean, amanhã estarei em navegação. Hoje estou em Salvador!!!! Eu degustei o vinho na Ceia de Natal e posso dizer que queimei a língua!!!!
Como tudo nessa vida a gente aprende... eu sempre dizia pros meus alunos "Fujam das Santas e dos vinhos reservados, que é diferente de vinhos reserva".
Bem, mudei de idéia em relação às Santas. Hoje eu e minha mãe visitamos o Pelourinho e a Igreja Nosso Senhor do Bonfim, aqui na Bahia tudo é muito sagrado e religioso, tudo a ver com a redenção das santas dos vinhos.
Essa vinícola Santa Carolina está situada no Vale Central e possui fundadores franceses e sul africanos. O seu nome vem como inspiração de Mrs. Carolina Iñiguez Vicuña, provavelmente um grande amor.
Pra começar foi muito difícil achar a safra 2007, só encontrei a 2005, no Pão de Açúcar em Campinas a R$18,90.
O vinho está numa cor rubi, com reflexos rubi de média intensidade.
No nariz somente os aromas primários com predominância de ameixa preta, não senti aromas de evolução, apesar de ter 4 meses de barrica (não diz qual nem que uso), uma intensidade média/baixa. Provavelmente a madeira é só para arredondar os taninos.
Na boca foi a surpresa: eu esperava uma explosão de taninos, mas para minha surpresa o vinho estava com taninos finos e muito agradáveis. Um retrogosto macio de frutas.
O vinho combinou maravilhosamente com o pernil de porco e molho de ameixas que a a tia do meu marido fez.
Gente, eu preciso ir pois o navio não espera ninguém!!!!
Muito axé pra todo mundo e um ótimo Ano Novo!!!!
Depois eu mando os vinhos que degustei no navio e como o Brasil está anos-luz em relação a serviço de vinho!!!!
Bjos

17 de dezembro de 2008

Brasil-São Paulo

Olá pessoal,
Esse post foi inspirado no III Simpósio em Pesquisa e Desenvolvimento em Vitivinicultura no Estado de São Paulo. Confesso que fiquei muito empolgada por ter escolhido essa área de trabalho, como eu sempre digo, vinho é tudo de bom! Só pro navegantes de primeira viagem: viticultura é o plantio das uvas, vinicultura é a fabricação de vinhos e por fim vitivinicultura é os dois juntos, quem planta e quem fabrica.
O Presidente da SBAV/SP o Sr. Sérgio Inglez de Sousa foi muito positivo na sua apresentação e questionou o mito sobre o clima do Brasil não ser propício para produzir uvas. Ele fez algumas metáforas sobre qual clima? O clima de Itupeva quente, seco com poucas chuvas, o de São Paulo frio e chuvoso (terra da garoa), o de Ubachuva quente, úmido e chuvoso... enfim só no nosso estado temos o mundo todo.
Ele mencionou os avanços tecnológicos na área de plantio, principalmente a inversão de safra como uma forma de melhorar a maturação das uvas. Inverter a safra é fazer a colheita no inverno (junho/julho), na época de poucas chuvas, assim a uva pode amadurecer até o ponto ideal sem ser atacada pelos fungos. Técnica com grande sucesso em Três Corações-MG.
Por que temos que colher no verão, só porque os europeus o fazem? A inversão de safra é uma idéia genial, por que ninguém o fez antes???
Novamente caímos naquela discussão das heranças européias no nosso cotidiano. Vou repetir um comentário que fiz num outro blog de café espressa-mente, nós brasileiros fomos colonizados por europeus e ainda carregamos alguns paradigmas e infelizmente ainda pensamos como colonos. Papai Noel gordo, barbudo, branco rosado todo vestido de veludo vermelho... nesse calorão. Nossa ceia de Natal com pernil, peru, farofa, fios de ovos e castanhas??? Quer coisa mais pesada e o mais grave tomar vinho tinto na temperatura ambiente... é o fim!!! Por acaso estamos em Paris???
Além dessa quebra de paradigma da colheita ele também disse algo que pra mim foi muito perturbador, em São Paulo foi produzido o primeiro vinho da América do Sul em 1551. Alguém tem mais informações sobre isso? Eu sempre achei que foi no Chile...
E citou algumas regiões produtoras no estado: Jundiaí, Louveira, Espírito Santo do Pinhal, Caldas, Araxá, Amparo, Adrilândia, São Carlos e São Roque.
Eu particularmente acredito no Enoturismo regional, já pensou que delícia num fds ir para uma vinícola pertinho de carro, almoçar num restaurante gostoso e dormir numa pousadinha no meio do vinhedo??? Nem precisa se preocupar com a Lei Seca, é só se arrastar até a rede e tirar um cochilo. Por que ninguém faz isso?

15 de dezembro de 2008

Salton Brut Reserva Ouro

Olá pessoal,

Esse é um dos meus vinhos preferidos, um ótimo custo benefício. Eu paguei R$19,00, pois compro direto da vinícola, mas no mercado ele está em torno de R$35,00.

Uma história interessante sobre esse vinho: no ano passado o Hotel Hyatt fez a festa de Ano Novo e esse vinho foi o escolhido pelos diretores do hotel numa degustação às cegas entre vários outros vinhos.
Como eu sempre digo: em degustação às cegas não tem desculpa, é a verdade doa a quem doer. No próximo post eu conto sobre a degustação da ABS-São Paulo em como um espumante de R$19,90 foi o mais votado num painel de 15 espumantes nacionais.
Enfim, vamos ao que interessa.

Elaboração

Feito com 80% Chardonnay, 20% Riesling. O mosto da uva foi extraído com prensa pneumática a baixa pressão, isto é o mosto é quase um mosto flor só extrai a parte mais nobre da uva e compostos mais doces e aromáticos.

O suco foi fermentado a baixa temperatura (máximo 17ºC) com fermentos selecionados, para manter as características de fruta fresca.

Primeira fermentação: 20% do vinho foi fermentado e conservado em barris de 225 l de carvalho novo, americano, meio tostado. Esse processo de fermentação em barrica aumenta as características de sur lies depois da batonnage, aroma de fermento, textura mais rústica, que lembra o champagne.

Segunda fermentação: Tanques Herméticos (autoclaves). Tempo de fermentação: 2 meses a 12ºC. Tempo de contato de levedura (sur lies): 6 meses.


Notas de degustação

Cor: Amarelo ouro com baixa intensidade, a perlage é contínua, as bolhas são médias.

Aroma: média intensidade aromática, mas muita complexidade. Notas de frutas maduras, fermento, tostado e um leve mineral de fundo, uma metamorfose ambulante!

Boca: um bom colchão de espuma, poderia ser um pouco mais agressivo, uma acidez viva, com corpo médio e muito agradável

Aspectos finais: A única tristeza é que o vinho não tem uma longa persistência, é muito curta!

Avaliação final: eu gosto desse vinho pois não é rústico como um bom champagne, mas tb não é levinho como um espumante convencional, fica no meio termo, um excelente custo benefício e agrada a todos as mulheres que gostam de bebidas docinhas e leves e os homens que gostam de bebidas mais encorpadas, eu acho que essa é a melhor qualidade do vinho, bem no meio termo, bem tucano em cima do muro!

Harmonização: Peixes grelhados e legumes, frango assado com uma salada caesar, um salpicão de frango desfiado com maçã e iogurte, ou somente para acompanhar entradinhas com uns pãezinhos queijos e frios.






11 de dezembro de 2008

Produção de Vinho Espumante

Festas de fim de anos é assim, muito espumante pra refrescar esse calor, só não vale ir pra praia e acertar a rolha na cara de alguém!!!!

Tudo o que tem bolhas é espumante: coca-cola, guaraná, água com gás... no caso dos vinhos também ocorre a mesma classificação, mas as perguntas que todos nós temos que nos fazer: qual a origem desse gás e como ele entrou nessa garrafa?

Todo e qualquer processo de fermentação tem como subproduto o CO2, nos vinhos tranquilos esse gás é descartado durante o processo, em alguns casos como na cerveja o CO2 desprendido do processo de fermentação é captado por tubulaçãoes especiais, lavado e reintroduzido novamente na bebida antes do engarrafamento.

Nos vinhos espumantes o CO2 tem origem de uma segunda fermentação que pode ser na própria garrafa (Méthode Champenoise) ou em grandes tanques isobáricos (Méthode Charmat). Isto é vininifica-se um vinho base, coloca-se um novo pé-de-cuba e se inicia uma outra fermentação e dessa vez o gás não é descartado, ele é aprisionado.



Méthode Champenoise

Vinho base ou vin de cuvée: com características especiais, é muito ácido, quase impossível de beber. Geralmente é um assemblage de vinhos vários vinhedos e várias uvas, no caso do espumante rosé é misturado vinho tinto é branco.

Licor de tiragem ou liqueur de tirage: formado por leveduras e açúcar.

Engarrafamento: fechada a garrafa com tampa de metal.

Fermentação ou prise de mousse: dentro da garrafa transformação do açúcar em CO2.

Envelhecimento ou sur lies: autólise das leveduras dentro da garrafa, gera aromas de brioche, pão fermento.

Remuage: processo de retirada das borras utiliza-se os pupitres (cavaletes) onde duas vezes ao dia garrafa é girada manualmente 1/8 de volta no sentido horário e 1/8 de volta no sentido anti-horário apara as borras descolarem da garrafa. E abre o cavalete aos poucos para as borras descerem até o gargalo.
Degolgement: processo de expulsão das borras. O gargalo é congelado e as borras ficam presas na pedra de gelo, tira a tampa de metal e o gelo é expulso da garrafa.

Licor de expedição ou liqueur de dosage: álcool vínico+ açúcar, para completar o nivel da garrafa e definir se o espumente será seco, demi-sec ou doce.

Enrolhamento: colocação da rolha e da gaiola de metal, nota-se que para abrir um vinho não deve retirar a gaiola.
Envelhecimento na garrafa: para desenvolver aromas sabores e corpo.



Méthode Charmat

Vinho base: com características especiais, é muito ácido, nos rosés pode ser mistura de tinto e branco ou maceração curta de tintos.

Licor de tiragem: formado por leveduras e açúcar.

Fermentação: dentro de tanques de aço inox com alta pressão e alto controle de temperatura.

Envelhecimento ou sur lies: autólise das leveduras dentro da garrafa, gera aromas de brioche, pão fermento. Opcional pois se o produtor quiser manter as características de fruta ele filtra logo após o término da fermentação.

Primeira filtração: para retirar as borras.

Estabilização à frio: do mesmo método dos vinhos brancos com abaixamento de temperatura.

Segunda filtração: para retirar os cristais de bitartarato

Enrolhamento: colocação da rolha.

Envelhecimento na garrafa: para desenvolver aromas sabores e corpo.

2 de dezembro de 2008

Argento Reserva Bonarda 2007

Olá pessoal,

Logo no meu comentário de estréia dos blogs eu não acho o vinho... que dureza!

Foi uma história estranha, aqui em Campinas a Wine Company tem como principal revendedor a Art du Vin. Eu liguei umas duas semanas atrás e pedi o vinho, a vendedora me disse que iria encomendar e no dia 28 ela me liga dizendo que não conhecia o vinho e que nunca tinha ouvido falar, estranho????
Liguei no 0800 da importadora, pedi o vinho e perguntei onde podia achar, eles anotaram meu email e meu telefone e nunca me retornaram.
Enfim, peço desculpas aos meus amigos confrades. Mas confesso que essa semana foi um caos e não pude colocar todos os meus esforços para achar o bendito vinho.
Para não deixar passar em branco fiz uma pesquisa sobre algumas curiosidades do vinho e da uva.
A empresa Argento Wine Company é uma joint venture entre a Bodegas Esmeralda e Bibendum, sua missão é difundir vinhos com preços acessíveis e de alta qualidade. A empresa exporta para 36 países e possui uma boa reputação internacional.
Segundo a Revista ADEGA alguns comentários sobre essa cepa:
"Para alguns produtores, a Bonarda plantada na Argentina é a mesma do Norte da Itália, prima das uvas da Lombardia e da Emilia-Romagna. Outros acham que ela é aparentada da Corbeau ou Douce Noire de Savóia, na França. Essa região está separada da Itália pelos Alpes e, portanto, a Bonarda deve ser também prima da Dolcetto ou da Barbera.

Sabe-se que a Bonarda chegou à Argentina com os primeiros imigrantes europeus, no final do século XIX. Lentamente, adaptouse às condições locais, por meio de uma seleção natural de clones no campo, ajudada pelo fato de não ser particularmente sensível a nenhuma enfermidade. Depois da Malbec, com 19 mil hectares de vinhas, vem a Bonarda, com 16 mil hectares, dos quais 9 mil são plantados nas planícies quentes do Leste de Mendoza, nos arredores de San Martin, Junin, Rivadavia e Santa Rosa, longe dos ventos frios da Cordilheira dos Andes.

Alguns produtores enfrentam o desafio de elaborar um bom vinho de Bonarda, e vários desses vinhos estão disponíveis em importadoras brasileiras. São vinhos marcados por frescor, acidez vibrante, fruta fresca e taninos suaves. Por um preço bastante acessível, constituem uma excelente relação entre qualidade e preço e, na Argentina, diz-se que são um revigorante para a alma, combatendo tristezas e saudade."
Enfim, uma estréia tumultuada, mas a primeira vez nem sempre é do jeito que sonhamos...
Bjos a todos,
Ivania Amaral