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11 de agosto de 2009

Será o fim do bouchonée?

Olá pessoal,

Acabei de voltar de uma palestra da Filipa Pato, uma graça de pessoa!!!

Para quem não a conhece ela é enóloga em Portugal, mais especificamente na região de Beiras e Bairrada. Ela descende de uma família produtora de vinhos, filha do Luiz Pato, portanto fazer bons vinhos é hereditário.

Ela nos descreveu um método novo de esterilização de rolhas: ao invés de usar o cloro, eles usam o O3 ou ozônio. E não é só usado para as rolhas, também o usam para as barricas de madeira, os equipamentos de inox e as garrafas. O ozônio é altamente eficaz nesses casos.

O principal objetivo desse método inovador é evitar a formação de TCA (tricloro-anisol) é essa substância que dá o cheiro de chulé ao vinho, o tal do Bouchonée (lê-se BU-CHO-NÊ). Essa palavra vem do francês e bouchon significa rolha.

Não confundam o fungo com o TCA!!!

O fungo contido na rolha se chama armillaria mellea (eu errei isso na prova do curso de sommelier e o meu professor quase me matou), sozinho não tem cheiro, mas o produto do seu metabolismo combinado com algumas moléculas de cloro formam o tal TCA, essa é a substância que destrói aproximadamente 5% dos vinhos produzidos no mundo.

Um vinho bouchonée perde as suas características de aroma e sabor, fica sem graça, esquisito, cheira mal e às vezes até se torna amargo, mas se bebermos por descuido ou por puro desconhecimento, não se preocupe, não faz mal à saúde

As tampas de metal do tipo screw cap também são uma boa escolha para se reduzir a formação do TCA, mas os brasileiros são muito resistentes a essa tecnologia e sempre acham que os vinhos nessas embalagens são inferiores, o que não é verdade.

Enfim, fiquei super empolgada com essa nova descoberta, pois todos ganham com isso: esse método é super eficiente e facilita o tratamento de efluentes na fábrica e não vamos precisar aposentar nossos saca-rolhas.

Bjos,

Iví K. Amárál

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